Dia 13
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Recarei – Pastores, Pastores
XIV Encontro de Janeiras GFESIDH – 11 janeiro 2025 – Igreja do Santíssimo Sacramento – Porto
Organização: Grupo de Folclore da Escola Secundária Infante D. Henrique e União de Freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos
Pastores: A Canção que Guia o Coração até Belém
No silêncio da noite, sob um manto de estrelas que parecem mais brilhantes e próximas do que o habitual, ergue-se um canto. Não vem dos palácios, nem das casas dos poderosos. Vem dos campos, do humilde cenário onde a vida é marcada pelo ritmo das estações e pelo balido das ovelhas. É o Cantar dos Reis “Pastores”, uma chamada simples, direta e cheia de fervor que atravessa os tempos.
O seu refrão é um convite urgente e coletivo:
“PASTORES, PASTORES
VAMOS TODOS A BELEM
ADORAR O DEUS MENINO
QUE NOSSA SENHORA TEM”
Esta não é uma simples narrativa; é um apelo. A repetição da palavra “Pastores” funciona como um despertar, um toque de reunir. A jornada não é para ser feita sozinho, mas em comunidade – “vamos todos”. O destino é claro: Belém. E o propósito é ainda mais claro: “Adorar o Deus Menino”. A simplicidade da linguagem reflete a simplicidade dos próprios pastores, homens comuns que são os primeiros a receber a notícia mais extraordinária. A menção a “Nossa Senhora” acrescenta um toque de ternura e humanidade, lembrando-nos que o Deus Menino é também um filho nos braços da mãe.
O refrão prossegue, aprofundando a missão e a identidade daquele que vão encontrar:
“PASTORES, PASTORES
VAMOS TODOS ADORAR
O DIVINO REDENTOR
QUE NASCEU P`RA NOS SALVAR”
Aqui, a adoração ganha um nome e um propósito cósmico. Ele não é mais apenas o “Deus Menino”, mas o “Divino Redentor”. O tom íntimo e familiar dá lugar à grandiosidade do plano divino. A razão do seu nascimento é declarada com clareza teológica e esperança profunda: “Que nasceu p’ra nos salvar”. Esta linha é o cerne de toda a celebração do Natal. É a resposta à angústia humana, a luz que irrompe na escuridão, a promessa de um novo começo.
A Jornada da Fé Simples
O que torna este canto tão poderoso é a figura do pastor. Eles representam a fé dos humildes, dos que não precisam de complexas doutrinas para crer, mas cujo coração reconhece imediatamente a verdade. A sua jornada até ao estábulo é a metáfora perfeita para a jornada de cada crente: uma viagem movida pela fé, guiada por uma estrela (ou por um canto), em direção ao encontro com o divino que se fez pequeno e acessível.
Quando grupos de Reis, nas frias noites de Janeiro, percorrem as ruas entoando este “Pastores”, eles não estão apenas a representar uma tradição. Estão a reencenar esse convite primordial. As suas vozes tornam-se a voz do anjo que anunciou a “novidade de grande alegria”. Cada porta onde batem é um novo campo de pastores, um novo coração a ser convidado a ir a Belém.
O Cantar dos Reis “Pastores” é, no fundo, muito mais do que uma canção de Natal. É um chamamento à ação. É um lembrete de que a maior alegria não está em ficar à margem, mas em levantar-se, como fizeram os pastores, e empreender a viagem – seja ela física ou espiritual – para adorar Aquele que, na sua infinita grandeza, se fez pequeno por amor. É a eterna e bela notícia de que a Salvação chegou, e o seu convite ecoa, simples e sublime, nos versos de uma canção que nunca envelhece.
LETRA: PASTORES
Tom: Dó M
REFRÃO:
PASTORES, PASTORES
VAMOS TODOS A BELEM
ADORAR O DEUS MENINO
QUE NOSSA SENHORA TEM
PASTORES, PASTORES
VAMOS TODOS ADORAR
O DIVINO REDENTOR
QUE NASCEU P`RA NOS SALVAR
AQUI VIMOS, AQUI ESTAMOS
MEUS SENHORES BEM O SABEIS
VIMOS DAR AS BOAS FESTAS
E TAMBEM CANTAR OS REIS
REFRÃO:
VIVA LÁ O SENHOR JOSÉ
OS ANOS QUE DEUS QUISER
VIVA TAMBEM UMA ROSA
QUE DEUS LHE DEU P`RA MULHER
REFRÃO:
VIVA LÁ MENINA MARIA
CORADINHA COMO A CEREJA
É A MOÇA MAIS BONITA
QUE ENTRA NA NOSSA IGREJA
REFRÃO:
VIVA LÁ A SENHORA ANA
DEITADA NOS SEUS LENÇÓIS
COM O SEU CABELO ÀS ONDAS
E NAS PONTAS CARACÓIS
REFRÃO: