Dia 20

A carqueja em Recarei

Apanhar carquejas era uma atividade que se realizava no sul do Concelho de Paredes, atividade esta que servia para ajudar no sustento de várias famílias.

Normalmente esta era uma atividade praticada por mulheres e crianças, que iam ao monte cortar carquejas e queirós, com uma foice, faziam grandes feixes que transportavam à cabeça até casa.

Já em casa faziam molhos mais pequenos, mas com um tamanho mais ou menos certo, os quais ficavam guardados em casa até o “Carregador”, o homem que carregava centenas de molhos em carros de bois, passar. Este senhor tinha famílias certas, com quem comunicava uns dias antes, quando iria fazer o transporte para dizer quantos centos de molhos precisava.

Depois, no dia combinado, passava para carregar e, ao fazê-lo, verificava se o tamanho dos molhos estava correto e carregava os centos combinados.

Assim que o carro estivesse carregado, este homem, transportava as carquejas, no carro de bois até Valongo. Havia alguns que iam mesmo até ao Porto, para vender às padarias.

Estas carquejas e queirós, eram utilizadas para aquecer os fornos, daí os molhos terem o tamanho ideal, para que os padeiros pudessem pegar neles e atira-los para dentro do forno.

Ao falar com a senhora Maria Alice, com 73 anos na altura, moradora em Recarei, que viveu em Alvre, freguesia de Aguiar de Sousa, até aos 18 anos, refere que tem memória de em criança ter passado por esta experiência e uma vez chegou a fazer a viagem até Valongo com um dos “Carregadores” que era seu vizinho.

Contou, ainda, que assim que chegava o “Carregador” passava pelas casas das famílias onde tinha carregado, e pagava 6 escudos por cada cento de molhos que tinha carregado.

Logo a seguir passavam os donos dos terrenos onde tinham cortado a carqueja e queiró, para cobrar meia coroa por cada cento que tinham vendido ao “carregador”.

As pessoas que exerciam esta atividade, não tinham posses, muito menos terrenos, então pagavam às famílias mais abastadas para poderem cortar as carquejas nos seus terrenos.

Também havia quem tentasse a sorte e, de vez em quando, lá fosse cortar uns feixes sem autorização.

Foi um negócio que ajudou a sustentar muitas famílias.

Paralelo a isso, houve também um outro que ajudou a alimentar muita gente, que era apanhar e vender macela, uma planta com flor de cor amarela.

Eram feitos molhinhos pequeninos que eram vendidos para serem usados em tratamentos medicinais.

Esta planta era vulgar em Recarei por causa das extensas lameiras que existiam na altura. Também eram vendidas a pessoas certas em Valongo, mais tarde havia quem viesse comprar a Recarei.

Texto e imagens cedidos pelo Rancho Folclórico da Casa do Povo de Recarei no âmbito da recolha etnográfica para o reportório do mesmo.

por António Nunes

 

USO MEDICINAL DA CARQUEJA, QUEIRÓ/URZE E MACELA

CARQUEJA

A carqueja é uma planta medicinal, da espécie Baccharis trimera, muito utilizada como remédio caseiro para regular a pressão arterial e os níveis de açúcar no sangue, além de ajudar a fortalecer o sistema imunológico.

Devido à sua ação anti-inflamatória e diurética, a carqueja também pode ser usada para melhorar a digestão, combater os gases e ajudar a emagrecer, por exemplo.

O chá de carqueja, preparado com as hastes, é a forma mais utilizada para consumir a planta, que pode ser encontrada em lojas de produtos naturais e algumas farmácias de manipulação. Outra forma de usar a carqueja é na forma de cápsulas.

Embora tenha diversos benefícios para a saúde, o uso da carqueja também pode causar efeitos colaterais, principalmente quando é consumida em quantidade excessiva, além de ser contraindicada para mulheres grávidas ou em amamentação.

Por isso, o uso da carqueja deve ser sempre feito com orientação de um médico ou outro profissional de saúde que tenha experiência com o uso de plantas medicinais.

 

QUEIRÓ OU URZE

A Urze também conhecida como Calluna é assim designada pois deriva do σκουπίστε grego que significa varrer, isto porque no passado as urzes eram utilizadas como utensílio de limpeza, estilo vassoura.

Este pequeno arbusto é característico da estação de outono. Tem uma floração que parecem uns pequenos sininhos em forma de espiga e apesar do seu ar colorido não têm apenas uso decorativo. A urze é uma planta nectarífera, o que significa que a sua inflorescência atrai e alimenta as abelhas, dando origem a um mel escuro, muito utilizado na doçaria.

Mas a Urze não se fica por aqui, ela tem também propriedades medicinais, úteis no tratamento de algumas doenças como: dores reumáticas, frieiras, artrite e gota.

A urze apresenta ainda estes benefícios: Cuida da próstata—ajuda a controlar o volume prostático; melhora o funcionamento dos rins;

Possui uma ação calmante e anti alérgica – graças aos flavonoides presentes; Ajuda a regenerar os tecidos do nosso corpo —presença de taninos;

Protege o cabelo – por causa do ácido ursólico.

 

MACELA

O chá de marcela, também conhecido como macela ou marcela—do—campo, é indicado para aliviar a dor de estômago, as cólicas intestinais, a ansiedade, a insônia, a gripe e a retenção de líquidos.

A marcela, cujo nome científico é Achyrocline satureioides, é rica em quercetina, limoneno, luteolina e ácidos fenólicos, que são óleos essenciais e compostos fenólicos com propriedades analgésicas, antiespasmódicas, antivirais e calmantes.

O consumo do chá de marcela pode causar vertigem, dor de cabeça, alergia e dermatite de contacto após exposição solar em algumas pessoas.